Você já reparou que, no Brasil, a gente se acostuma a trabalhar sempre “ajeitando as coisas” em vez de reestruturá-las de verdade? No setor de saúde, então, isso é quase regra. Consultórios, clínicas e laboratórios vão tocando o dia a dia sem parar para revisar a estrutura societária, o contrato social ou a forma como os impostos são pagos. Só que a Reforma Tributária promete acabar com essa zona de conforto, e rápido.
Com a criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), a cobrança de tributos sobre serviços vai mudar de patamar. A alíquota será maior na nota fiscal, mas o sistema, em tese, ficará mais simples e uniforme. O problema é que simplificação não significa “menos imposto” e, principalmente, não resolve a falta de preparo de muitas empresas da saúde para operar nesse novo cenário.
Hoje, é comum encontrar negócios com CNPJ individual, sociedades informais entre colegas, contratos frágeis e até uso indevido do Simples Nacional, mesmo com faturamento que já não se encaixa no regime. E, pior, patrimônio pessoal e empresarial misturados, sem holding ou blindagem mínima. Tudo isso funcionava “mais ou menos” no passado. Agora, pode virar uma armadilha.
Para enfrentar essa virada tributária, será preciso mais que boa vontade: é hora de colocar o negócio em bases sólidas. Isso significa ter um contrato social bem escrito, com cláusulas de proteção e sucessão; criar uma holding patrimonial ou médica para separar risco pessoal e empresarial; adotar centros de custo internos para análise estratégica; e, claro, fazer um planejamento tributário anual com simulações reais nos diferentes regimes, incluindo o novo modelo.
Essa reorganização não é luxo, é defesa. E, no jogo que vem aí, quem não se preparar vai pagar caro — e não só em impostos. Vai pagar em risco jurídico, insegurança e perda de competitividade.
A pergunta que fica é simples: você vai esperar o problema bater à porta ou vai revisar sua estrutura agora, com calma e estratégia?